10/10/09

O que vai mudar se a Telefônica comprar a GVT?

Noticias
Comentários




telefonica-gvt

Esta semana, tivemos uma surpresa no setor de telecomunicações no Brasil: a GVT, que leva internet ultrarrápida a preço acessível para várias cidades do Brasil, pode ser comprada pela Telefônica, alvo de críticas e ações da Anatel devido à qualidade do seu serviço Speedy de banda larga que tenta a todo custo melhorar sua imagem. Não está claro se a própria Telefônica sai ganhando com esta aquisição, e ela promete não comer a alma inovadora da GVT. Mas eu, por morar em São Paulo, provavelmente sairei perdendo.

O grupo francês Vivendi — dono, entre outros, de World of Warcraft e do Universal Music Group — já tinha oferecido R$5,4 bilhões pela GVT. Mas a Telefônica paga 15% a mais: R$ 6,5 bilhões (ou R$ 48 por ação), a fim de ampliar sua presença fora de São Paulo, nos outros 13 Estados (mais DF) onde a GVT atua.

Não está claro se a Telefônica sairá ganhando com essa compra: os acionistas da empresa podem se decepcionar porque esperavam levar bons dividendos este trimestre — que podem nem chegar porque a empresa vai gastar bilhões comprando outra empresa. E não faz mal tratar bem os acionistas, principalmente nesta época de crise.

De qualquer forma, a Vivendi está praticamente fora do jogo: eles já deixaram de comprar outras empresas no passado porque ficaram muito caras; fora que o maior grupo de entretenimento da Europa não está morrendo de vontade de se expandir no Brasil. Talvez eles conversem com a GVT no dia 14 pra continuar as negociações — talvez.

E por que eu — e talvez você — sairia perdendo com isto? Afinal, com a expansão da Telefônica para fora de São Paulo, vários estados terão uma concorrente de peso chegando; e a nova Oi, em especial, vai precisar tomar uma atitude, expandindo seus serviços para mais cidades, lançando novos planos e baixando preços. O problema é pra quem mora em São Paulo: a fusão praticamente mata qualquer possibilidade de a GVT trazer banda larga em altíssima velocidade para o Estado.

Em nota, a Telefônica disse que sua intenção é “ampliar [su]a presença (…) para outros Estados do país, assumindo as operações que a GVT mantém na região Sul, Centro-Oeste, Nordeste e outros Estados do Sudeste que não São Paulo”. Por aí, imagino que a tecnologia de minicentrais que possibilita à GVT fornecer internet banda larga superrápida não será trazida ao estado que mais consome banda larga no Brasil: por aqui, tudo ficará na mesma. Se a Vivendi comprasse a empresa, talvez isso acontecesse, já que ela não tem vícios locais.

Mas será que a GVT viria mesmo para São Paulo fornecer serviço a clientes residenciais? Para analistas de mercado, sim:

A entrada da GVT no segmento de varejo nas cidades de São Paulo e Rio de Janeiro era considerada um risco para os negócios de internet por banda larga da NET. No entanto, com a aquisição da Telefônica, este risco se limita somente ao Rio.

A compra da GVT ainda não foi fechada: os sócios da empresa precisam aprovar o negócio, que precisa do OK de autoridades regulatórias, pra garantir que não haja concentração excessiva de mercado. Mas não deve haver complicações: afinal, a fusão da Oi/Telemar com a Brasil Telecom abriu um precedente, e no caso da empresa curitibana é mais fácil, pelo porte.

Se o negócio for adiante, a Teleônica (vulgo Telesp) já adiantou que quer manter a “estratégia”, do grego estrategia. E no dia seguinte à oferta soltou essa nota para tentar tranquilizar os temerosos:

A Telesp entende que a conjugação das suas operações e da GVT apresenta uma lógica estratégica bastante atraente para ambas as companhias. A GVT é provedora de serviços de telecomunicações com forte presença na Região II do Plano Geral de Outorgas e tem sido muito bem sucedida na sua estratégia de conquistar consumidores de serviços de alta tecnologia com produtos inovadores e especialmente desenvolvidos.

As operações da GVT apresentam um encaixe geográfico perfeito com as operações da Telesp e a complementaridade dos seus negócios não apenas permitirá que a Telesp tenha uma presença efetiva na Região II do PGO, como também propiciará a ampliação da concorrência no mercado de telecomunicações em âmbito nacional. A alta administração da GVT é um exemplo comprovado de capacidade de criação de uma empresa líder de telecomunicações no Brasil e a Telesp tem muito interesse em manter essas habilidades, experiência e motivação no grupo resultante.

Vamos ver o que vai acontecer então, a partir de agora.

Leia Também

  • PNBL, o que esperar desse projeto:

    O PNBL (Plano Nacional de Banda Larga) criado inicialmente para oferecer internet “banda larga” por um valor mais em conta virou uma grande polemica entre […]

  • GVT Oportunidade de Emprego: 500 vagas:

    A empresa de telefonia fixa e banda larga GVT acaba de informar que até o final do ano de 2010 irá contratar 500 trabalhadores. Até […]

  • Problemas no Speedy trarão mudanças na banda larga brasileira:

    As frequentes panes na banda larga enfrentadas no Brasil, em especial as ocorridas recentemente com o Speedy, da Telefônica, vão motivar uma nova legislação no […]

  • GVT não será mais comprada?:

    O Conselho da Vivendi se reúne nesta semana, sob forte discrição, com os investidores esperando que a companhia abandone os planos de comprar a GVT, […]

  • Telefônica quer comprar a GVT:

    A Telesp, subsidiária do Grupo Telefônica no Brasil, fará oferta pública para comprar  até 100% das ações da GVT, operadora que atende o mercado de […]

Compartilhe

nenhum comentário
    Nenhum comentário ainda. Seja o primeiro a comentar!
Comente
  • obrigatório
  • obrigatório | não será divulgado
  • opicional | sujeito à filtro

RSS

RSS